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Já faz tempo que Dia das Crianças virou “dia das compras”: as vendas nesta data só ficam atrás do Natal e do Dia das Mães. Para mim, não existe problema nenhum em aproveitar para dar à criança o presente que ela tanto deseja, desde que isso não signifique deixar sua conta no vermelho. Mas acho que é uma boa oportunidade para ensinar outras coisas tão importantes quanto comemorar esse dia maravilhoso.

Hoje, as famílias estão menores e as crianças não precisam mais dividir seus brinquedos com vários irmãos. Além disso, as casas são pequenas e fica cada dia mais difícil ter onde guardar tanta coisa. Por isso você pode pensar em comprar um presente para ser compartilhado entre irmãos ou primos. Além de reduzir o consumo, é uma ótima forma de as crianças aprenderem a negociar.

Outro hábito que pode ser introduzido é um que sempre uso quando compro roupas ou sapatos novos: entrou um sai outro. Se a criança ganhou um brinquedo novo, ela deve escolher outro que não brinca mais para doação. É um jeito legal de não deixar o armário entulhado e de ensinar solidariedade.

 Você também pode dar à criança a oportunidade dela escolher o que vai ganhar, definindo limites para o quanto pode ser gasto. Se for possível, leve-a a lojas onde os brinquedos não são os mesmos anunciados na televisão. Ela poderá aprender que há opções muito mais divertidas e descobrir o que ela realmente gosta, sem a influência das propagandas.

Fazer boas escolhas também é praticar o consumo consciente. E seu filho precisará saber disso quando crescer.

Ai gente, como seria bom se existisse TED nos anos 80 e minha mãe ouvisse esse cara falando… Bem, mas agora existe e se você tem filhos (ou pretende ter) não pode deixar de ver.

Ainda não li o livro, mas sei que da cabecinha da minha querida Mikita só sai coisa boa. Ela acaba de lançar seu primeiro livro infantil, “Vestida para espantar gente na rua”, com textos e ilustrações certamente lindos. Mais informações no blog: http://euespantogentenarua.wordpress.com/

Miki, querida, parabéns. Eu perdi o lançamento no último sábado, mas vi algumas fotos e fiquei emocionada! Deve ter sido uma festa linda e muito divertida… Espero que seja um sucesso!

Entre o banho e a jantinha da Bebel consegui ver alguns minutos de um programa do chef-celebridade Jamie Oliver no canal GNT. Ele continua na sua campanha por merendas escolares mais saudáveis, agora nos EUA, na cidade norte-americana conhecida por ser a menos saudável do país, Huntington.

As pequenas partes que consegui ver do programa mostravam crianças que confundiam berinjela com pêra, que não sabiam reconhecer sequer um tomate e, para mim o pior, meninos de 10 anos que não sabiam usar garfo e faca, pois comiam tudo com colher ou com as mãos. A cozinheira ficou horrorizada quando Jamie Oliver, indignado, pediu que os talheres fossem servidos, afinal, as crianças precisavam aprender a usá-los!

O programa de TV, gravado em 2009, acabou virando uma campanha chamada Jamie’s Oliver Food Revolution. O site é cheio de receitas e informações para quem quer incentivar as escolas a servirem alimentos que não vão deixar seus filhos obesos nem diabéticos. Tem até uma petição à favor da saúde das crianças e da sobrevivência dessa tão antiga habilidade humana que é a culinária. É de admirar o empenho desse cozinheiro!

Por aqui, o Instituto Alana continua na batalha pela regulamentação da publicidade de alimentos com alto teor de açúcar, gorduras e sódio e de bebidas com baixo teor nutricional, proposta pela Anvisa. A regulamentação determina que a publicidade desses produtos sejam acompanhadas de alertas para possíveis riscos à saúde no caso de consumo excessivo. Você pode manifestar o  seu apoio aqui.

Que bom seria…

Esta semana começou o último mês da minha licença maternidade. Em agosto volto a trabalhar e consequentemente à loucura de São Paulo. Há umas três semanas comecei a sofrer por antecipação, pensando nas horas presa no trânsito e, principalmente, nas intermináveis dez horas longe da minha filha.

Eu tive o privilégio de tirar seis meses de licença maternidade, um benefício maravilhoso, que toda mulher do mundo deveria ter acesso. E mesmo assim estou com a sensação de que deveria ficar mais tempo em casa, cuidando da minha menina.

Sei que quando retomar minha rotina tanto ela quanto eu vamos nos adaptar. Mas que bom seria se eu pudesse trabalhar só meio período… Se eu vivesse em uma cidade menor, sem tanto trânsito… Se eu pudesse parar de trabalhar por pelo menos um ano… Fico pensando inutilmente nessas coisas, sabendo que não vou fazer nada disso, afinal, agora tenho uma filha pra criar e, além de gostar do que faço, preciso ganhar de dinheiro…

Mmmmmmm… será que não dá mesmo pra viver com menos grana e mais tempo livre? Ela é tão pequena, fica feliz com qualquer bagunça que eu faço, qualquer brinquedinho que eu dê na mão dela… Nos primeiros três meses ela só precisava de cinco coisas: um berço gostoso, fraldas limpas, chupeta, funchicória e eu. Fez tanto calor no início deste ano que nem de roupa ela precisava, embora as gavetas estivessem lá, abarrotadas!

Agora que está com cinco meses ela também precisa de um brinquedinho macio para morder e um edredom pra rolar no chão com segurança. E quando crescer mais um pouco eu acho que o que ela precisará mesmo será de parques e praças onde possa brincar de verdade, até extravasar toda a sua energia (o quintal da vó também serve!). Alimentos frescos, saborosos e sem químicas, ar puro,  praias limpas e amigos legais também são itens fundamentais. Mas parece que ter o que é mais simples é sempre mais trabalhoso, mais difícil de conseguir.

Talvez por isso na maior parte das vezes acabamos proporcionando às crianças o que é mais cômodo. E assim as enchemos de brinquedos, roupas, sapatos e passeios no shopping. Não que essas coisas também não sejam legais, mas todos nós sabemos que não é daí que vem a verdadeira felicidade. Alías, falar do prazer encontrado nas pequenas coisas já virou lugar comum, virou receita de felicidade de revista “Bons Fluídos”.

Mas se é assim tão óbvio então por que não mudamos nosso estilo de vida e a forma como educamos de nossos filhos?

Ontem encontrei uma amiga que está em plena mudança de rota, traçando uma mudança radical em sua vida. Enquanto comíamos morango com açúcar e bebíamos um vinho barato ela me garantiu que para mudar nem é preciso tanta coragem e que é mais fácil que a gente imagina. A serenidade em seu rosto não deixou dúvidas: ela não estava mentindo.

“Para curtir, é preciso tempo. Às vezes nem é tempo para acontecer. Mas tempo para perceber que estão acontecendo. Lembra-se de quando nos prometeram que a tecnologia viria para facilitar nossas vidas? Pois não aconteceu bem assim, você deve ter notado. Nossos compromissos aumentaram, o volume de informações e opções também, e quem é que estamos levando junto? As crianças. Já pensou que, para elas, passar horas enchendo e esvaziando um pote de areia pode ser mais importante do que ter uma agenda cheia de atividades extracurriculares? Como estão em outro ritmo, se damos a elas mais chance de viver de uma forma mais simples e menos corrida, não serão apenas mais felizes, mas também mais saudáveis.

Foi o que apontou uma pesquisa da Universidade de Washington (EUA): brincar garante não só o desenvolvimento adequado, mas também a boa saúde no futuro. Eles verificaram que ter espaços verdes perto de casa, por exemplo, contribui para que as crianças façam mais atividades físicas e, consequentemente, tenham menos riscos de ficarem obesas. E crianças que se divertem em meio à natureza apresentam melhor funcionamento cerebral e menos sintomas de déficit de atenção e hiperatividade.

É na infância também, na mesma fase em que as crianças aprendem noções de motricidade, a falar e a andar, que os hábitos de consumo são construídos. É claro que os pais são os primeiros exemplos, mas a televisão, a propaganda em geral, os amigos e a escola também influenciam na formação desses hábitos. E, em meio à oferta gigante de produtos e serviços, você precisa se perguntar se é preciso adquirir tanta coisa.”

“Por uma vida mais simples” é uma das 10 propostas da revista Crescer para a educação dos filhos.  Veja aqui que bacana essa iniciativa.

Estado do mundo 2010

“Na última década, a humanidade aumentou seu consumo de bens e serviços em 28%. Somente em 2008, foram vendidos no mundo 68 milhões de veículos, 85 milhões de refrigeradores, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones celulares.

Para produzir tantos bens, é preciso usar cada vez mais recursos naturais. Entre 1950 e 2005, a produção de metais cresceu seis vezes, o consumo de petróleo subiu oito vezes e o de gás natural, 14 vezes. Atualmente, um europeu consome em média 43 quilos em recursos naturais diariamente – enquanto um americano consome 88 quilos, mais do que o próprio peso da maior parte da população.

Além de excessivo, o consumo é desigual. Em 2006, os 65 países com maior renda, que somam 16% da população mundial, foram responsáveis por 78% dos gastos em bens e serviços. Somente os americanos, com apenas 5% da população mundial, abocanharam uma fatia de 32% do consumo global. Se todos vivessem como os americanos, o planeta só comportaria uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Atualmente já somos quase 7 bilhões, e projetam-se 9 bilhões para 2050.

A pior notícia é quem nem mesmo um padrão de consumo médio, equivalente ao de países como Tailândia ou Jordânia, seria suficiente para atender igualmente todos os habitantes do planeta.

Uma pesquisa anual com alunos de primeiro ano de faculdades nos Estados Unidos investigou durante mais de 35 anos as prioridades de vida dos alunos. No transcorrer desse tempo, a importância atribuída a ter boa situação financeira aumentou de pouco mais de 40% para quase 80%, enquanto a importância atribuída à construção de uma filosofia de vida plena de sentido diminuiu de 75% para pouco mais de 45%.

Para romper com o padrão do consumismo, todos os aspectos da educação terão de ser pautados pela sustentabilidade. Hábitos, valores, preferências – todos são, em grande medida, formados na infância. E durante a vida, a educação pode ter um efeito transformador sobre quem aprende. Portanto, explorar essa instituição poderosa será essencial para redirecionar a humanidade para culturas de sustentabilidade.

Quanto mais a sustentabilidade puder estar integrada aos sistemas escolares atuais, maior será o número de pessoas que internalizarão os ensinamentos da sustentabilidade desde a infância. Dessa forma, as ideias, valores e hábitos se tornarão ‘naturais’. A partir de então, a educação funcionará como ferramenta poderosa para criar sociedades sustentáveis.”

O relatório Estado do Mundo 2010 está cheio de informações relevantes para profissionais de todos os setores. Disponível para download aqui. Trechos extraídos de matéria publicada no site do Akatu.