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Archive for the ‘Consumo na infância’ Category

Já faz tempo que Dia das Crianças virou “dia das compras”: as vendas nesta data só ficam atrás do Natal e do Dia das Mães. Para mim, não existe problema nenhum em aproveitar para dar à criança o presente que ela tanto deseja, desde que isso não signifique deixar sua conta no vermelho. Mas acho que é uma boa oportunidade para ensinar outras coisas tão importantes quanto comemorar esse dia maravilhoso.

Hoje, as famílias estão menores e as crianças não precisam mais dividir seus brinquedos com vários irmãos. Além disso, as casas são pequenas e fica cada dia mais difícil ter onde guardar tanta coisa. Por isso você pode pensar em comprar um presente para ser compartilhado entre irmãos ou primos. Além de reduzir o consumo, é uma ótima forma de as crianças aprenderem a negociar.

Outro hábito que pode ser introduzido é um que sempre uso quando compro roupas ou sapatos novos: entrou um sai outro. Se a criança ganhou um brinquedo novo, ela deve escolher outro que não brinca mais para doação. É um jeito legal de não deixar o armário entulhado e de ensinar solidariedade.

 Você também pode dar à criança a oportunidade dela escolher o que vai ganhar, definindo limites para o quanto pode ser gasto. Se for possível, leve-a a lojas onde os brinquedos não são os mesmos anunciados na televisão. Ela poderá aprender que há opções muito mais divertidas e descobrir o que ela realmente gosta, sem a influência das propagandas.

Fazer boas escolhas também é praticar o consumo consciente. E seu filho precisará saber disso quando crescer.

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Entre o banho e a jantinha da Bebel consegui ver alguns minutos de um programa do chef-celebridade Jamie Oliver no canal GNT. Ele continua na sua campanha por merendas escolares mais saudáveis, agora nos EUA, na cidade norte-americana conhecida por ser a menos saudável do país, Huntington.

As pequenas partes que consegui ver do programa mostravam crianças que confundiam berinjela com pêra, que não sabiam reconhecer sequer um tomate e, para mim o pior, meninos de 10 anos que não sabiam usar garfo e faca, pois comiam tudo com colher ou com as mãos. A cozinheira ficou horrorizada quando Jamie Oliver, indignado, pediu que os talheres fossem servidos, afinal, as crianças precisavam aprender a usá-los!

O programa de TV, gravado em 2009, acabou virando uma campanha chamada Jamie’s Oliver Food Revolution. O site é cheio de receitas e informações para quem quer incentivar as escolas a servirem alimentos que não vão deixar seus filhos obesos nem diabéticos. Tem até uma petição à favor da saúde das crianças e da sobrevivência dessa tão antiga habilidade humana que é a culinária. É de admirar o empenho desse cozinheiro!

Por aqui, o Instituto Alana continua na batalha pela regulamentação da publicidade de alimentos com alto teor de açúcar, gorduras e sódio e de bebidas com baixo teor nutricional, proposta pela Anvisa. A regulamentação determina que a publicidade desses produtos sejam acompanhadas de alertas para possíveis riscos à saúde no caso de consumo excessivo. Você pode manifestar o  seu apoio aqui.

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Esta semana começou o último mês da minha licença maternidade. Em agosto volto a trabalhar e consequentemente à loucura de São Paulo. Há umas três semanas comecei a sofrer por antecipação, pensando nas horas presa no trânsito e, principalmente, nas intermináveis dez horas longe da minha filha.

Eu tive o privilégio de tirar seis meses de licença maternidade, um benefício maravilhoso, que toda mulher do mundo deveria ter acesso. E mesmo assim estou com a sensação de que deveria ficar mais tempo em casa, cuidando da minha menina.

Sei que quando retomar minha rotina tanto ela quanto eu vamos nos adaptar. Mas que bom seria se eu pudesse trabalhar só meio período… Se eu vivesse em uma cidade menor, sem tanto trânsito… Se eu pudesse parar de trabalhar por pelo menos um ano… Fico pensando inutilmente nessas coisas, sabendo que não vou fazer nada disso, afinal, agora tenho uma filha pra criar e, além de gostar do que faço, preciso ganhar de dinheiro…

Mmmmmmm… será que não dá mesmo pra viver com menos grana e mais tempo livre? Ela é tão pequena, fica feliz com qualquer bagunça que eu faço, qualquer brinquedinho que eu dê na mão dela… Nos primeiros três meses ela só precisava de cinco coisas: um berço gostoso, fraldas limpas, chupeta, funchicória e eu. Fez tanto calor no início deste ano que nem de roupa ela precisava, embora as gavetas estivessem lá, abarrotadas!

Agora que está com cinco meses ela também precisa de um brinquedinho macio para morder e um edredom pra rolar no chão com segurança. E quando crescer mais um pouco eu acho que o que ela precisará mesmo será de parques e praças onde possa brincar de verdade, até extravasar toda a sua energia (o quintal da vó também serve!). Alimentos frescos, saborosos e sem químicas, ar puro,  praias limpas e amigos legais também são itens fundamentais. Mas parece que ter o que é mais simples é sempre mais trabalhoso, mais difícil de conseguir.

Talvez por isso na maior parte das vezes acabamos proporcionando às crianças o que é mais cômodo. E assim as enchemos de brinquedos, roupas, sapatos e passeios no shopping. Não que essas coisas também não sejam legais, mas todos nós sabemos que não é daí que vem a verdadeira felicidade. Alías, falar do prazer encontrado nas pequenas coisas já virou lugar comum, virou receita de felicidade de revista “Bons Fluídos”.

Mas se é assim tão óbvio então por que não mudamos nosso estilo de vida e a forma como educamos de nossos filhos?

Ontem encontrei uma amiga que está em plena mudança de rota, traçando uma mudança radical em sua vida. Enquanto comíamos morango com açúcar e bebíamos um vinho barato ela me garantiu que para mudar nem é preciso tanta coragem e que é mais fácil que a gente imagina. A serenidade em seu rosto não deixou dúvidas: ela não estava mentindo.

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“Para curtir, é preciso tempo. Às vezes nem é tempo para acontecer. Mas tempo para perceber que estão acontecendo. Lembra-se de quando nos prometeram que a tecnologia viria para facilitar nossas vidas? Pois não aconteceu bem assim, você deve ter notado. Nossos compromissos aumentaram, o volume de informações e opções também, e quem é que estamos levando junto? As crianças. Já pensou que, para elas, passar horas enchendo e esvaziando um pote de areia pode ser mais importante do que ter uma agenda cheia de atividades extracurriculares? Como estão em outro ritmo, se damos a elas mais chance de viver de uma forma mais simples e menos corrida, não serão apenas mais felizes, mas também mais saudáveis.

Foi o que apontou uma pesquisa da Universidade de Washington (EUA): brincar garante não só o desenvolvimento adequado, mas também a boa saúde no futuro. Eles verificaram que ter espaços verdes perto de casa, por exemplo, contribui para que as crianças façam mais atividades físicas e, consequentemente, tenham menos riscos de ficarem obesas. E crianças que se divertem em meio à natureza apresentam melhor funcionamento cerebral e menos sintomas de déficit de atenção e hiperatividade.

É na infância também, na mesma fase em que as crianças aprendem noções de motricidade, a falar e a andar, que os hábitos de consumo são construídos. É claro que os pais são os primeiros exemplos, mas a televisão, a propaganda em geral, os amigos e a escola também influenciam na formação desses hábitos. E, em meio à oferta gigante de produtos e serviços, você precisa se perguntar se é preciso adquirir tanta coisa.”

“Por uma vida mais simples” é uma das 10 propostas da revista Crescer para a educação dos filhos.  Veja aqui que bacana essa iniciativa.

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Hoje eu falei pra minha filha de quase três meses: “Bebel, você vai viver sua infância em uma época muito estranha”… Eu estava assistindo Cartoon Network enquanto ela mamava e estava passando a propaganda de um serviço de informações sobre personagens de desenho pelo celular. Basta a criança digitar alguns números e pronto, ela passa a receber as informações em seu telefone. E o melhor, seus pais nem precisam participar dessa decisão!

Mais cedo eu havia recebido em meu e-mail as informações sobre uma conferência que acontecerá em junho, o Kid & Tweens Power Brasil. Como estudei o tema consumo na infância, acho que em algum momento me cadastrei para receber informações sobre esse evento, que reúne a nata do marketing infantil.

Entre os destaques do folder está o seguinte: “Tendências de consumo de crianças e suas famílias: atingir crianças, adolescentes e toda a famíia é o grande desafio para os profissionais de marketing. Mantê-los engajados é ainda mais difícil! Venha discutir novas estratégias e garanta o sucesso de sua empresa”.

Eu trabalho em uma grande empresa e acho legítimo pensar em estratégias para que seus negócios sejam um sucesso. Empresas inovadoras e lucrativas são boas para a economia, geram empregos e produzem bens que nos proporcionam conforto. Mas é inconcebível para mim que uma empresa garanta seu lucro às custas de estratégias que manipulam a relação entre pais e filhos.

Uma das palestras, por exemplo, tem o seguinte tema: “Stakeholders mirins: a participação da criança na formação da marca e reputação da empresa”. Não posso ser ingênua ao ponto de achar que as crianças não conhecem e emitem suas opiniões sobre marcas e produtos. Mas não consigo achar correto que uma empresa se aproveite da capacidade de uma criança influenciar seus pais com a finalidade única de obter maiores lucros.

Não, eu não estou louca. Não, eu não estou sendo radical. Pessoas que pesquisam, criam e colocam em prática estratégias de marketing como essas é que perderam a noção de até onde se deve ir para ganhar mais dinheiro.

Nessa história, algumas coisas precisam ser respeitadas e preservadas. E uma delas sem dúvida é a criança.

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Se, como bem mostra o teste da pegada ecológica, o planeta não suporta o estilo de vida que levamos nas grandes cidades, nossas crianças terão que aprender a viver de um jeito diferente, baseados em valores diferentes, certo? Terão que aprender a lidar com recursos naturais escassos, que repensar a relação entre o espaço urbano e o meio ambiente e, principalmente, terão que desconstruir a idéia de que sentimentos como felicidade, bem-estar, amizade e amor andam lado a lado com o dinheiro e o consumo.

E para termos crianças que viverão segundo novas ideias e novos valores precisamos ter adultos que apresentarão a elas novas ideias e novos valores, certo? Isso pode e já tem sido feito por meio de livros, filmes, museus, na escola e meios de comunicação, certo? Mas e a informação que a criança recebe em casa, por meio da educação e do exemplo dos pais?

Bem, aí é que a coisa complica, pois é quando nós, adultos, nos deparamos com nossas próprias contradições… É aí que precisamos parar de contar com a ajuda externa e rever o que nós temos feito para o nascimento de uma nova sociedade. Afinal, de que adianta eu apresentar minha filha a livros incríveis como esse da Cristina Von, que a Rê comentou em seu último post, se meu armário está abarrotado de roupas, bolsas e sapatos que quase nunca uso?

Este post só tem perguntas pois para essas questões eu realmente não tenho resposta. Tenho pensado nisso desde que comecei a me envolver com a ideia do desenvolvimento sustentável e a me deparar com o grande desafio de meus mudar hábitos e estilo de vida.

Como eu, que sinto uma felicidade imensa cada vez que compro uma roupinha nova, que amo tomar um longo banho quentinho todos os dias, que adoro meu carro, vou educar minha filha de acordo com valores diferentes dos que eu fui educada?

Não tem aquela frase batida do Ghandi que diz que “temos que ser a mudança que queremos ver no mundo”? Pois é…  no momento me sinto como aquelas empresas, que fazem propagandas falando em sustentabilidade sem sequer adotar uma política decente de respeito aos direitos de seus funcionários… Fazer é sempre mais difícil que falar, não é?

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Que saudade de escrever neste Quintal…

Essa é para os pais e educadores que se preocupam com a educação financeira de suas crianças e da relação delas com o consumo. Aliás, Mari e eu adoramos tratar deste assunto aqui.

A Cristina Von – escritora que participou do videochat do ano passado – acabou de lançar um livrinho lindo chamado “O Consumo”. Nele, a autora conta a história de dois meninos que têm vidas muito parecidas, mas com consciências muito diferentes, e vai mostrando aos leitores o reflexo das escolhas da vida deles.

O enredo facilita a vida dos adultos porque, com ele, conseguimos explicar aos pequenos – com exemplos práticos – o que perde quem é consumista. E que o consumo, quando desnecessário, pode ser um peso, e não uma alegria.

A editora dela (a Callis) aproveitou para relançar “O Dinheiro”, que é um livrinho que ela já tinha e que vale muito a pena. Tem até porquinho para montar.

Beijos e até.

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