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Archive for the ‘Sustentabilidade’ Category

Já faz tempo que Dia das Crianças virou “dia das compras”: as vendas nesta data só ficam atrás do Natal e do Dia das Mães. Para mim, não existe problema nenhum em aproveitar para dar à criança o presente que ela tanto deseja, desde que isso não signifique deixar sua conta no vermelho. Mas acho que é uma boa oportunidade para ensinar outras coisas tão importantes quanto comemorar esse dia maravilhoso.

Hoje, as famílias estão menores e as crianças não precisam mais dividir seus brinquedos com vários irmãos. Além disso, as casas são pequenas e fica cada dia mais difícil ter onde guardar tanta coisa. Por isso você pode pensar em comprar um presente para ser compartilhado entre irmãos ou primos. Além de reduzir o consumo, é uma ótima forma de as crianças aprenderem a negociar.

Outro hábito que pode ser introduzido é um que sempre uso quando compro roupas ou sapatos novos: entrou um sai outro. Se a criança ganhou um brinquedo novo, ela deve escolher outro que não brinca mais para doação. É um jeito legal de não deixar o armário entulhado e de ensinar solidariedade.

 Você também pode dar à criança a oportunidade dela escolher o que vai ganhar, definindo limites para o quanto pode ser gasto. Se for possível, leve-a a lojas onde os brinquedos não são os mesmos anunciados na televisão. Ela poderá aprender que há opções muito mais divertidas e descobrir o que ela realmente gosta, sem a influência das propagandas.

Fazer boas escolhas também é praticar o consumo consciente. E seu filho precisará saber disso quando crescer.

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“Na última década, a humanidade aumentou seu consumo de bens e serviços em 28%. Somente em 2008, foram vendidos no mundo 68 milhões de veículos, 85 milhões de refrigeradores, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones celulares.

Para produzir tantos bens, é preciso usar cada vez mais recursos naturais. Entre 1950 e 2005, a produção de metais cresceu seis vezes, o consumo de petróleo subiu oito vezes e o de gás natural, 14 vezes. Atualmente, um europeu consome em média 43 quilos em recursos naturais diariamente – enquanto um americano consome 88 quilos, mais do que o próprio peso da maior parte da população.

Além de excessivo, o consumo é desigual. Em 2006, os 65 países com maior renda, que somam 16% da população mundial, foram responsáveis por 78% dos gastos em bens e serviços. Somente os americanos, com apenas 5% da população mundial, abocanharam uma fatia de 32% do consumo global. Se todos vivessem como os americanos, o planeta só comportaria uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Atualmente já somos quase 7 bilhões, e projetam-se 9 bilhões para 2050.

A pior notícia é quem nem mesmo um padrão de consumo médio, equivalente ao de países como Tailândia ou Jordânia, seria suficiente para atender igualmente todos os habitantes do planeta.

Uma pesquisa anual com alunos de primeiro ano de faculdades nos Estados Unidos investigou durante mais de 35 anos as prioridades de vida dos alunos. No transcorrer desse tempo, a importância atribuída a ter boa situação financeira aumentou de pouco mais de 40% para quase 80%, enquanto a importância atribuída à construção de uma filosofia de vida plena de sentido diminuiu de 75% para pouco mais de 45%.

Para romper com o padrão do consumismo, todos os aspectos da educação terão de ser pautados pela sustentabilidade. Hábitos, valores, preferências – todos são, em grande medida, formados na infância. E durante a vida, a educação pode ter um efeito transformador sobre quem aprende. Portanto, explorar essa instituição poderosa será essencial para redirecionar a humanidade para culturas de sustentabilidade.

Quanto mais a sustentabilidade puder estar integrada aos sistemas escolares atuais, maior será o número de pessoas que internalizarão os ensinamentos da sustentabilidade desde a infância. Dessa forma, as ideias, valores e hábitos se tornarão ‘naturais’. A partir de então, a educação funcionará como ferramenta poderosa para criar sociedades sustentáveis.”

O relatório Estado do Mundo 2010 está cheio de informações relevantes para profissionais de todos os setores. Disponível para download aqui. Trechos extraídos de matéria publicada no site do Akatu.

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Hoje eu falei pra minha filha de quase três meses: “Bebel, você vai viver sua infância em uma época muito estranha”… Eu estava assistindo Cartoon Network enquanto ela mamava e estava passando a propaganda de um serviço de informações sobre personagens de desenho pelo celular. Basta a criança digitar alguns números e pronto, ela passa a receber as informações em seu telefone. E o melhor, seus pais nem precisam participar dessa decisão!

Mais cedo eu havia recebido em meu e-mail as informações sobre uma conferência que acontecerá em junho, o Kid & Tweens Power Brasil. Como estudei o tema consumo na infância, acho que em algum momento me cadastrei para receber informações sobre esse evento, que reúne a nata do marketing infantil.

Entre os destaques do folder está o seguinte: “Tendências de consumo de crianças e suas famílias: atingir crianças, adolescentes e toda a famíia é o grande desafio para os profissionais de marketing. Mantê-los engajados é ainda mais difícil! Venha discutir novas estratégias e garanta o sucesso de sua empresa”.

Eu trabalho em uma grande empresa e acho legítimo pensar em estratégias para que seus negócios sejam um sucesso. Empresas inovadoras e lucrativas são boas para a economia, geram empregos e produzem bens que nos proporcionam conforto. Mas é inconcebível para mim que uma empresa garanta seu lucro às custas de estratégias que manipulam a relação entre pais e filhos.

Uma das palestras, por exemplo, tem o seguinte tema: “Stakeholders mirins: a participação da criança na formação da marca e reputação da empresa”. Não posso ser ingênua ao ponto de achar que as crianças não conhecem e emitem suas opiniões sobre marcas e produtos. Mas não consigo achar correto que uma empresa se aproveite da capacidade de uma criança influenciar seus pais com a finalidade única de obter maiores lucros.

Não, eu não estou louca. Não, eu não estou sendo radical. Pessoas que pesquisam, criam e colocam em prática estratégias de marketing como essas é que perderam a noção de até onde se deve ir para ganhar mais dinheiro.

Nessa história, algumas coisas precisam ser respeitadas e preservadas. E uma delas sem dúvida é a criança.

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Parece bacana a iniciativa do Akatu nas escolas públicas. Eles estão capacitando professores de escolas públicas para trabalhar os temas consumo consciente e sustentabilidade em sala de aula. Além de cursos presenciais eles participam elaborando planos de aulas adequados à sua realidade e ganham acesso a uma plataforma de ensino à distância. Essa experiência servirá de modelo para a extensão da formação a todas as escolas públicas do Brasil. Mais informações aqui!

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Ainda não entendeu direito essa história de mudanças climáticas? Vale a pena ler o texto de Thomas Friedman para o NYT e publicado no Planeta Sustentável: o jornalista americano Thomas Friedman diz que, entre todos os absurdos que regularmente assolam a política americana, o mais disparatado é o que se refere ao inverno rigoroso que assola Washington como prova de que as mudanças climáticas não passam de lorota.

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Se, como bem mostra o teste da pegada ecológica, o planeta não suporta o estilo de vida que levamos nas grandes cidades, nossas crianças terão que aprender a viver de um jeito diferente, baseados em valores diferentes, certo? Terão que aprender a lidar com recursos naturais escassos, que repensar a relação entre o espaço urbano e o meio ambiente e, principalmente, terão que desconstruir a idéia de que sentimentos como felicidade, bem-estar, amizade e amor andam lado a lado com o dinheiro e o consumo.

E para termos crianças que viverão segundo novas ideias e novos valores precisamos ter adultos que apresentarão a elas novas ideias e novos valores, certo? Isso pode e já tem sido feito por meio de livros, filmes, museus, na escola e meios de comunicação, certo? Mas e a informação que a criança recebe em casa, por meio da educação e do exemplo dos pais?

Bem, aí é que a coisa complica, pois é quando nós, adultos, nos deparamos com nossas próprias contradições… É aí que precisamos parar de contar com a ajuda externa e rever o que nós temos feito para o nascimento de uma nova sociedade. Afinal, de que adianta eu apresentar minha filha a livros incríveis como esse da Cristina Von, que a Rê comentou em seu último post, se meu armário está abarrotado de roupas, bolsas e sapatos que quase nunca uso?

Este post só tem perguntas pois para essas questões eu realmente não tenho resposta. Tenho pensado nisso desde que comecei a me envolver com a ideia do desenvolvimento sustentável e a me deparar com o grande desafio de meus mudar hábitos e estilo de vida.

Como eu, que sinto uma felicidade imensa cada vez que compro uma roupinha nova, que amo tomar um longo banho quentinho todos os dias, que adoro meu carro, vou educar minha filha de acordo com valores diferentes dos que eu fui educada?

Não tem aquela frase batida do Ghandi que diz que “temos que ser a mudança que queremos ver no mundo”? Pois é…  no momento me sinto como aquelas empresas, que fazem propagandas falando em sustentabilidade sem sequer adotar uma política decente de respeito aos direitos de seus funcionários… Fazer é sempre mais difícil que falar, não é?

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Que saudade de escrever neste Quintal…

Essa é para os pais e educadores que se preocupam com a educação financeira de suas crianças e da relação delas com o consumo. Aliás, Mari e eu adoramos tratar deste assunto aqui.

A Cristina Von – escritora que participou do videochat do ano passado – acabou de lançar um livrinho lindo chamado “O Consumo”. Nele, a autora conta a história de dois meninos que têm vidas muito parecidas, mas com consciências muito diferentes, e vai mostrando aos leitores o reflexo das escolhas da vida deles.

O enredo facilita a vida dos adultos porque, com ele, conseguimos explicar aos pequenos – com exemplos práticos – o que perde quem é consumista. E que o consumo, quando desnecessário, pode ser um peso, e não uma alegria.

A editora dela (a Callis) aproveitou para relançar “O Dinheiro”, que é um livrinho que ela já tinha e que vale muito a pena. Tem até porquinho para montar.

Beijos e até.

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